“Se você não pode amar, não ame; seja simples, seja humilde, faça calmo o seu trabalho, e deixe o resto. O amor é uma criação de beleza, como a pintura e a música; reserva-se a raros ser Ticiano ou Greco ou Mozart ou Bach; reserva-se a raros o privilégio de amar”.
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, V, edição da Ulmeiro, 1990)
Wednesday, October 04, 2006
“Admirar a Natureza e não admirar a mulher que é a sua obra mais bela e não a admirar, querendo-a, em tudo o que ela é, espírito e corpo, é ser um poeta que faltou, na sua alma, à amplitude do mundo. O primeiro dever diante de uma mulher é ser um fogo que arde e um coração que se vigia”.
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, IV, edição da Ulmeiro, 1990)
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, IV, edição da Ulmeiro, 1990)
“Cada vez vou sentindo mais que se não pode perceber o que seria essencial perceber, mas procedo sempre como se estivesse convencido do contrário, ou, por outras palavras, não renuncio”.
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, III, edição da Ulmeiro, 1990)
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, III, edição da Ulmeiro, 1990)
AMA(S)
“Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma óptima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama: às vezes o sabe a mulher amada, mas creio até que num amor que fosse pleno, em que nada entrasse das preocupações da terra, nem ela o saberia”.
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, II, edição da Ulmeiro, 1990)
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, II, edição da Ulmeiro, 1990)
“Deus aspira a que o deixem em descanso, a que não digam nada sobre ele, a que não discutam se existe se não existe, se mais vale pelo amor ou pela acção, como se importasse alguma coisa a Deus amar ou agir (…) Diria então que um Deus não surpreendido no seu acto de manipular, ou não manipulado, seria essencialmente um Deus que se esconde. Não podia dizer nada sobre ele, nem de bem nem de mal, não lhe fixaria nenhum atributo, pois que os atributos que pregamos em Deus são apenas os rótulos de preço, preparação de uma venda de Deus a nós próprios e aos outros; quem não precisa de dinheiro, vendendo-se, forma habitual de se conseguirem recursos, ou vendendo, não põe etiquetas em Deus; conserva-o limpo e, por intrínseco, esquecido, ou escondido a seus olhos, ou aos olhos alheios e não apenas olhem, os meus, o mundo, a que, por fantasia, empresto olhos idênticos aos meus. Deus se esconderia, Deus está oculto, de Deus, ao a quem não rezo, nada posso dizer; do outro, daquele a quem rezo, todo eu sou palavras”.
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 3, 1, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 3, 1, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
“Não ousou o homem pôr a maldade entre os atributos de Deus e pecou primeiramente porque foi estreito; e de novo pecou porque foi tímido. Consolava-o a ideia de uma protecção sempre possível e a mente, que não se levantava ao total, só pôde conceber a explicação infantil e ilógica dos dois demiurgos. Fugimos da aspereza e erguemos um palácio de fadas, esplêndido e seguro, mas enervante e mole; tememos a vida e a vida se vingou.
“Restituamos a Deus toda a sua grandeza; reconheçamos o seu poder na violência e no terror; tenhamos por divino o abaixamento destes tempos; emana Caim do espírito supremo – como Abel; não tiremos a Deus o que temos como ideal superior: a vontade do progresso; não o despojemos, por interesse egoísta, do prazer de marchar, não lhe dêmos em troca da variedade que roubamos a monotonia a que aspira a alma baixa”.
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 2, 24, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
“Restituamos a Deus toda a sua grandeza; reconheçamos o seu poder na violência e no terror; tenhamos por divino o abaixamento destes tempos; emana Caim do espírito supremo – como Abel; não tiremos a Deus o que temos como ideal superior: a vontade do progresso; não o despojemos, por interesse egoísta, do prazer de marchar, não lhe dêmos em troca da variedade que roubamos a monotonia a que aspira a alma baixa”.
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 2, 24, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
Ir á Índia sem abandonar Portugal
“O mal que se vê é aguilhão para o bem que se deseja; e quanto mais duro, quanto mais agressivo, se bate em peito de aço, tanto mais valioso auxiliar num caminho de progresso; o querer se apura, a visão do futuro nos surge mais intensa a cada golpe novo; o contentamento e a mansa quietude são estufa para homens; por aí se habituam a ser escravos de outros homens, ou da cega natureza; e eu quero a terra povoada dos rijos corações que seguem os calmos pensamentos e a mais nada se curvam”.
Agostinho da Silva
Agostinho da Silva
AGOSTINHO DA SILVA
“ (…) O mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta a vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder (…) ”.
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 2, 15, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
(Agostinho da Silva, “Ir à Índia Sem Abandonar Portugal; Considerações; Outros Textos”, 2, 15, edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 1994)
Thursday, September 28, 2006
Yogaswami
"Seja leal para consigo mesmo. Não altere o seu comportamento apenas para contentar os outros".
AMO(S)
A lealdade é um sinal de uma verdadeira amizade. A Bíblia diz em Provérbios 17:17 “O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.”
A nossa lealdade a Deus não pode ser dividida. A Bíblia diz em Mateus 6:24 “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”
A nossa lealdade a Deus não pode ser dividida. A Bíblia diz em Mateus 6:24 “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”
Monday, September 18, 2006
DASS
O que significa caralho? Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas e de onde os vigias, essa espécia de suricatas, perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. O caralho, dada a sua situação ou seja, localizado numa área de muita instabilidade (no alto do mastro), é o lugar onde se manifesta com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco. Também era considerado um lugar de castigo, punição e tortura para os que, marinheiros ou não, cometiam alguma infração a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia, ficava tão enjoado que se mantinha sossegado por um bom par de dias. Daí vem a célebre expressão: mandar para o caralho. Caralho é o termo comparativo que se usa para definir toda uma gama de sentimentos humanos e quase todos os estados de alma. Quantas vezes, ao apreciar uma coisa que é boa ou que nos agrade, não exclamámos, mesmo que em voz baixa, inaudível, pensamento mudo mas intenso: isto é do caralho! Se nos chateamos com alguém, manda-mo-lo para o caralho. Rápidamente e em força. Se alguma coisa não nos interessa, nem por um caralho. Mas, se alguma coisa, por muito aparentemente insignificante aos olhos de terceiros, nos interessa muito, então é do caralho. Também são comuns as expressões: Essa é boa p'ra caralho. Esse gajo é do caralho. Isso é longe pra caralho. CARALHO! E não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um caralho. Se um merceeiro (*) se sente deprimido pela situação actual do seu negócio vocifera: estamos a ir para o caralho! Quando se encontra alguém que há muito tempo não se vê, onde caralho te meteste, caralho?! (caralho usado como pontuação, algumas vezes enfatizado por um rotundo foda-se). É por isso que envio esta saudação do caralho, e se vomecês não são do caralho, espero que este texto vos saiba bem e agrade pra caralho. É chique e fica bem poderemos dizer caralho ou mandar alguém para o caralho imbuídos de um espírito com mais de cultura e autoridade académica.
E que tenhais uma semana feliz. Uma semana do caralho.
(*) Negociantes, vendedores, ciganagem e liberais neoconas que vêm infestando o planeta em chusmas ininterruptas, autênticas catadupas de inúteis que almejam impingir uns aos outros mercadoria inútil, vulgo lixo, enquanto declamam poemas neoliberais como quem caga postas de pescada.
retirado do blog ´por tu graal`
E que tenhais uma semana feliz. Uma semana do caralho.
(*) Negociantes, vendedores, ciganagem e liberais neoconas que vêm infestando o planeta em chusmas ininterruptas, autênticas catadupas de inúteis que almejam impingir uns aos outros mercadoria inútil, vulgo lixo, enquanto declamam poemas neoliberais como quem caga postas de pescada.
retirado do blog ´por tu graal`
Friday, September 15, 2006
SACANAGEM
GATOS II

"Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior."
- Hippolyte Taine
"Se um homem pudesse ser cruzado com um gato, melhoraria o homem mas deterioraria o gato."
- Mark Twain
"O gato nunca é comum."
- Carl van Vechten
"A inteligência no gato é menosprezada."
- Louis Wain
"A dificuldade com gatos é que eles não têm nenhum tato."
- P.G. Wodehouse
GATOS I

"A veneração dos egípcios pelos gatos não era nem tola nem infantil. Por meio do gato, o Egito definiu e refinou sua complexa estética."
- Camille Paglia
"Gatos falam com os rabos."
- Cleveland Amory
"Gatos podem ser engraçados, mas têm os modos mais estranhos de mostrar sua alegria. O nosso sempre urinou em nossos sapatos."
- W.H. Auden
"É fácil entender por que os gatos despertam sentimentos de antipatia nas pessoas. Um gato se mostra sempre bonito; sugestionando idéias de luxo, limpeza, e prazeres voluptuosos."
- Charles Baudelaire
"O gato é, acima de tudo, um dramaturgo."
- Margaret Bensen
"Qualquer um que afirme que um gato não é capaz de dar um olhar sujo nunca conviveu com um gato, ou sempre esteve desatento."
- Maurice Burton
"Você vê aquele gatinho que persegue o próprio rabo tão lindamente? Se você pudesse olhar com os olhos dele, você poderia a ver centenas de figuras que executam dramas complexos, com assuntos trágicos e cômicos, conversações longas, muitos pensamento e muitos sobe e desce do destino."
- Ralph Waldo Emerson
"Sempre me dá um calafrio quando eu vejo um gato que vê o que eu não posso ver."
- Eleanor Farjeon
"Não há nenhum modo de falar sobre gatos que permitem a pessoa passar como uma pessoa sã."
- William S. Landor
"Gatos não pertencem às pessoas. Eles pertencem aos lugares."
- Ogden Nash
"Observe um gato quando entra em um quarto pela primeira vez. Procura cheiros, não fica quieto um momento, não confia em nada até que examinou e travou conhecimento com tudo."
Tuesday, September 12, 2006
CEGUEIRA
«- Anos e anos de viagem sideral com os pés
iracundamente
azuis. Sou eu,
como um retrato de cabeça para baixo.
Conheci-me cantador em estado
de amante. Tive
o desviado ofício de canteiro.
Fiz uma catedral. Morri
acocorado. Eu era um amante
com ofício de poeta cego. Um dia
transformei-me na mulher que amava.»
Herberto Helder
iracundamente
azuis. Sou eu,
como um retrato de cabeça para baixo.
Conheci-me cantador em estado
de amante. Tive
o desviado ofício de canteiro.
Fiz uma catedral. Morri
acocorado. Eu era um amante
com ofício de poeta cego. Um dia
transformei-me na mulher que amava.»
Herberto Helder
PULSAR
"Ich bin der Geist, der stets verneint"
Do eterno erro na eterna viagem,
O mais que [exprime] na alma que ousa,
É sempre nome, sempre linguagem,
O véu e capa de uma outra cousa.
Nem que conheças de frente o Deus,
Nem que o Eterno te dê a mão,
Vês a verdade, rompes os véus,
Tens mais caminho que a solidão.
Todos os astros, inda os que brilham
No céu sem fundo do mundo interno,
São só caminhos que falsos trilham
Eternos passos do erro eterno.
Volta a meu seio, que não conhece os deuses, porque os não vê,
Volta a meus braços,
melhor esquece que tudo só fingir que é.
fAUSTO
F.Pessoa
O mais que [exprime] na alma que ousa,
É sempre nome, sempre linguagem,
O véu e capa de uma outra cousa.
Nem que conheças de frente o Deus,
Nem que o Eterno te dê a mão,
Vês a verdade, rompes os véus,
Tens mais caminho que a solidão.
Todos os astros, inda os que brilham
No céu sem fundo do mundo interno,
São só caminhos que falsos trilham
Eternos passos do erro eterno.
Volta a meu seio, que não conhece os deuses, porque os não vê,
Volta a meus braços,
melhor esquece que tudo só fingir que é.
fAUSTO
F.Pessoa
Monday, September 04, 2006

Krishna havia se retirado para a floresta e estava em meditação embaixo de uma árvore, quando um caçador, na pemumbra da floresta, o confunde com um antílope e o fere na planta do pé. Mesmo ferido de morte, aceita-a com grande serenidade. No Bhagavad-Gita ele diz:
- Inevitável é a morte para os que nascem;todo o morrer é um nascer – pelo que, não deves entristecer-te por causa do inevitável.
wikipédia
Friday, September 01, 2006
Movimento de existir
Duas rectas que se cruzam,
Eis um ponto;
Esse ponto , em movimento,
Há-de ser recta também;
E essa recta e outra recta
Hão-de formar novo ponto,
Novo ponto
Nova recta
E sempre assim sem remédio!
Eu sou um ponto nascido
De duas vidas cruzadas
Reinaldo Faria
Eis um ponto;
Esse ponto , em movimento,
Há-de ser recta também;
E essa recta e outra recta
Hão-de formar novo ponto,
Novo ponto
Nova recta
E sempre assim sem remédio!
Eu sou um ponto nascido
De duas vidas cruzadas
Reinaldo Faria
Barca Bela
Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge de ela,
Foge de ela,
Ó pescador!
Almeida Garrett
Onde vás pescar com ela
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge de ela,
Foge de ela,
Ó pescador!
Almeida Garrett
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